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Dá ASA ao teu Talento e Transforma-te numa Empresária Diamante

Entrevista: Pedro Fabrica

Pedro Fabrica
  • Licenciado pela FMV-UTL (1997). 

  • Realizou estágio final na ABLN (Vila do Conde) e na Clin. Vet. do Lima (Porto). 

  • Iniciou atividade profissional em 1997, no referido CAMV posteriormente Hospital Veterinário do Porto, dedicado às áreas de cirurgia, medicina de urgências, gastrenterologia e endoscopia.

  • Em 2005, passa a responsável nacional da Divisão Técnica e de Marketing dos Biológicos, Farmacológicos de Animais de Companhia e de Medicamentos para Equinos da Merial Portuguesa. Actualmente é responsável pelo Canal Veterinário de Animais de Companhia, assim como Gestor de Produto e Serviços Técnicos de Vacinas e Terapêuticos de Animais de Companhia na Boehringer Ingelheim Animal Health Portugal.

  • Pós-graduação em Marketing Farmacêutico em 2007 pelo IPAM

  • Docente convidado na ULHT (2007-2009) em Gastrenterologia e Endoscopia.

  • Curso de actor pela Escola Inimpetus 2009/2010

  • Secretário do Conselho Directivo da Ordem dos Médicos Veterinários para o mandato de 2016 – 2019.

Se tivesses que desenhar a linha da tua vida como se fosse um eletrocardiograma, quais teriam sido e foram para ti os picos mais fortes e de maior intensidade?

Destaco 3 picos:

1º Pico – Quando fui convidado em 1997 para integrar a equipa médica da Clínica Veterinária do Lima, posterior Hospital Veterinário do Porto em 1999, que foi uma escola fantástica para o meu crescimento médico veterinário e pessoal;

2º Pico – A mudança de área em 2005 dentro da Saúde Animal, passando da área Clínica e Cirúrgica de um dos mais reputados CAMV para a Indústria Farmacêutica na área da Saúde Animal, onde profissionalmente me expus ao planeamento e organização de uma empresa mundial, fazendo-me estudar e dedicar a áreas da gestão para além da propriamente dita medicina veterinária;

3º Pico – A eleição em conjunto com a equipa candidata para a Conselho Directivo da Ordem dos Médicos Veterinários, onde depois de ter estado em 3 áreas da medicina veterinária, era e é tempo de dar o meu contributo para a Classe Veterinária com a ambição de se tornar mais forte e unida, dignificando o trabalho entre os Colegas de Profissão e a Sociedade.

A tua chegada à Ordem dos Médicos Veterinários é vista como uma lufada de ar fresco, dinamismo e caracter de presença, quais são os maiores desafios?

Os desafios são diversos e complexos. Antes de mais trabalhar em equipa e a obtenção de consensos que beneficiem a Classe no seu todo e não em nichos. Conseguir fazer a triagem das críticas dos membros, sabendo que algumas delas, são meramente críticas em forma e não em conteúdo. Outro grande desafio é a gestão de tempo, quer pessoal, pois trata-se de uma posição em regime voluntariado tendo que ser bem equilibrado com a minha profissão, quer de projectos dentro do manifesto eleitoral do mandato, projectos esses que conceptualmente parecem fáceis de implementar e depois dependem de inúmeros factores para além do papel do Conselho Directivo.

Pedro ao longo do teu percurso profissional, denota-se um comportamento crítico em relação às tuas escolhas, fizeste algumas transições do núcleo profissional, com uma formação técnica muito especializada para um novo caminho de elevados desafios físicos e intelectuais; quais foram as perguntas que tiveste que responder para poderes decidir em te transformares e aceitares a mudança que o mundo te pedia?

A minha grande força motriz assenta em: querer fazer e achar que consigo fazer. No fundo, quando por exemplo pensei que queria ir para o mundo empresarial e me predispus a mudar, preparei-me através de formação e auto-didactismo o que achava fulcral para ser um bom candidato ao lugar. Assim como, quando concorri à Ordem dos Médicos Veterinários, preparei-me e expus-me de forma à Classe perceber que havia alguém disponível para contribuir mais e diferente para o dia-a-dia do Médico Veterinário.

Imperativamente a família sempre tem um maior peso, porque sentimos a responsabilidade de não falhar e mais do que isso ter tempo, a capacidade, a vontade e a certeza que devemos acrescentar; no teu caso e conhecendo a tua exigência profissional a cada dia e a cada semana como organizas o teu campo profissional e pessoal?

Antes de mais, definir qual é o tempo pessoal e o profissional, mantendo o mais possível a rotina pessoal de horários. A nível profissional, uso uma matriz em que divido a gestão dos assuntos entre importante/não importante e urgente/não urgente. Obviamente trata-se de uma matriz dinâmica, pois o que não é urgente hoje, amanhã já poderá vir a ser.

Conheces o mundo VUCA em que vivemos, este mundo de transformação continua a tantos níveis que se torna impossível o humano poder acompanhar tudo o que nos rodeia, e muito menos o que se passa no resto do mundo; na tua ótica quais são os próximos desafios dos Médicos Veterinários?

Sinceramente acho que o Ser Humano sempre viveu num mundo VUCA e até à data tem-se sabido adaptar na sua generalidade.

Para mim, a Medicina Veterinária é uma profissão de emoções, sobretudo os profissionais que têm contacto com os detentores dos animais.

Assim, ao nível dos Animais de Companhia, para além da necessária actualização constante de conhecimentos, o Médico Veterinário tem de desenvolver competências comunicacionais, de ter um guião para comunicar com o detentor e levando-o a melhores escolhas para o seu animal, assim como um maior cumprimento das orientações médicas e reduzir os riscos de má comunicação e conflito.

Ao nível de animais de produção, o grande desafio será o da incorporação da tecnologia de produção em equilíbrio com o bem-estar animal, assim como de forma transversal a animais de companhia e produção, o uso de antibióticos de forma mais restrita e cientificamente documentada.

Ao nível da inspecção sanitária e tecnologia alimentar, o Médico Veterinário terá de adquirir conhecimentos sobre a produção de alimentos artificiais que mimetizam a proteína animal, nomeadamente ao nível da nanotecnologia.

Haverá também um forte desafio ao nível ético, com todas as evoluções tecnológicas e como o animal é visto na sociedade moderna.

Finalmente, a formação empresarial ao nível do curso da Medicina Veterinária deverá estar mais presente, para o crescimento da figura do Médico Veterinário Empresário.

E a nível da população, dos cuidadores de animais, dos tutores e das associações, qual será o caminho na ótica da cooperação?

O nível de informação dos cuidadores de animais é crescente, nesse sentido, o Médico Veterinário forçosamente tem de acompanhar ou quando não o consegue em certas áreas, deverá instituir o salutar hábito de referenciar para Colegas especializados. 

Haverá também uma selecção natural das Associações mais profissionalizadas versus as menos organizadas, tendo em conta a mais recente legislação sobre o controlo populacional de cães e gatos. 

O controlo reprodutivo agora implementado como medida de controlo populacional e sob a alçada das autarquias irá contribuir para uma maior organização do sector associativista animal.

Se falarmos com um psicólogo clinico, a maioria recomenda atividades físicas em grupo, teatro ou dança e não menos são as vezes em que recomenda um animal; sabendo que este animal pode vir a ser ter um vínculo afetivo com uma criança e acreditando que este animal exige responsabilização, quais deveriam ser os protocolos para uma adoção responsável?

Começa a justificar-se a criação de uma figura de técnico de avaliação de bem-estar da adopção, que levando em linha de conta o perfil psicológico do adoptante, assim como as condições de meio físico e económicas faça uma adequação do animal a ser adoptado ao adoptante. 

Actualmente, devido ao grande número de animais em Centro de Recolha Oficial (CRO) e em Associações, entendo que a triagem não seja tão apertada, mas com a diminuição do número de animais sem tutor, será um processo natural, um perfil que inclua algo semelhante ao processo da adopção de uma criança, obviamente com as devidas diferenças entre as necessidades do animal e da criança.

Consideras que a existência de bons protocolos no atendimento médico veterinário na prevenção da saúde animal, pode beneficiar diretamente a população?

Como referi na resposta à pergunta 5, nos próximos anos será seguramente matéria de ensino “A comunicação em ambiente médico veterinário” nas diferentes instituições de ensino superior de medicina veterinária. 

Já o é lá fora, assim como é na Medicina Humana, também o será na Medicina Veterinária em Portugal. 

Esta necessidade também se deve ao menor desenvolvimento de competências pessoais de comunicação das gerações mais recentes, graças ao nível de “e-tecnologia” usada e da limitação das interacções entre indivíduos em mundo real. 

O ensinar a escutar activamente, olhos nos olhos, a criar empatia e a fazer o trajecto emocional e físico do detentor do animal quando ele, por exemplo, se dirige ao Centro de Atendimento Médico Veterinário (CAMV) com o seu membro familiar de 4 patas, dará uma enorme vantagem competitiva e emocional ao Médico Veterinário na oferta da melhor solução, minimizando igualmente o desgaste emocional pelo decréscimo de conflitos em ambiente de consulta.

Estiveste à pouco nos Açores, com bastante destaque na divulgação do cheque veterinário. Quais são os maiores obstáculos para um projeto destas dimensões?

Os maiores obstáculos são essencialmente os protocolos com alguma semelhança já existentes ao nível de algumas autarquias, assim como alguns poderes instituídos relacionados com a causa animal que se opõe à iniciativa solidária da Ordem dos Médicos Veterinários por considerarem ser concorrência.

Qual o propósito e onde se pretende chegar com uma ação a este nível? 

O propósito do Cheque Veterinário é apoiar animais em risco, quer a nível de cuidados básicos médicos como a vacinação e desparasitação, quer a nível de controlo reprodutivo através de “esterilização” cirúrgica e quer a nível de urgências, havendo a possibilidade de um animal sem detentor acidentado poder beneficiar de os mesmos cuidados básicos de suporte de vida que um animal com tutor. 

A Ordem dos Médicos Veterinários serve como interlocutor na coordenação, gestão e garantia de uma transparente articulação entre os animais em risco assinalados pelas autarquias aderentes (animais em risco são os animais em CRO e animais de famílias com dificuldades económicas com identificados pela autarquia), em que estas atribuem uma verba estipulada para o serviço médico veterinário escolhido, através de uma plataforma, e onde será usada num dos CAMV aderentes ao Cheque Veterinário. 

Assim, há a criação de uma rede nacional de CAMV dispostos solidariamente a apoiar as autarquias a lidar com os problemas médicos de cães e gatos em risco, através de uma tabela de serviços previamente definidos onde o Médico Veterinário oferece parcial ou totalmente o seu tempo de trabalho. 

Em suma, a autarquia consegue implementar rapidamente um serviço de apoio aos animais de companhia em risco e os CAMV vêem a sua solidariedade visível e reconhecida.

Top of Mind & Top of Heart; o que guardas na tua mente e no teu coração?

Top of Mind: Quer o pessimista, quer o optimista morrem, mas este último diverte-se muito mais.

Top of Heart: Tenho que compreender as minhas emoções e aceita-las, para compreender e aceitar as dos outros.

Se a vida é feita de metas para se atingir um objetivo, qual é o teu Génio Interior, aquele que te mantem alinhado com as tuas vivencias?

Coisas simples como parar, comtemplar, rir, partilhar, momentos à mesa, serenar e descansar.

Qual a pergunta que me gostavas de fazer, e vêr aqui, nesta entrevista respondida?

Como constróis a tua motivação?

Obrigado pela tua pergunta Pedro, a motivação sempre foi e será um tema discutido em varias áreas e categorias profissionais. 

Durante muito tempo existiu uma ordem de ideias de que seria a empresa, o projeto, o tema, a pessoa que nos deveria motivar. 

Eu penso exatamente o contrario, pelo menos para mim a Motivação é intrínseca, especifica de cada um, quase como um efeito biológico que se activa ou não. 

Tenho e tive uma vida repleta de sucessos e fracassos tanto profissionais como pessoais, e olhando à distancia tudo se mantem igual a única coisa que mudou foi a forma como olho para as coisas e como elas impactam em mim. Existe um fenómeno que adoro “ bigfaill”, e quando participas nestes grupos facilmente percebes que os problemas, os fracassos, as tristezas são transversais. O que te faz levantar ou não; o que te faz avançar ou recuar; o que te faz aceitar ou recusar são cascatas da tua biologia que se ativam perante as diferentes situações. 

Sou por natureza uma pessoa motivada por novos projetos, adoro descobrir, estudar, implementar e monitorizar a solidez do que desenvolvi, aqui sou altamente motivada. No entanto em projetos que já foram implementados e necessitam de pessoas que os mantenham e os tornem sustentáveis, perco a motivação. Este é o meu desafio neste momento, aceitar as minhas células empreendedoras de elevada performance e manter em equilíbrio a equipa que sustenta os meus projetos. Quando os avalio percebo que essa é a sua motivação, não gostam de surpresas, gostam de um projeto testado e poderem dar força e corpo a esse modo de trabalhar e viver.

Desta forma entrando no Funil da tua pergunta, construi a minha motivação no meu código genético e nas oportunidades que procurei de forma a potenciar as minhas capacidades nucleares. 

Tu és um Top of Mind para mim. Muito Obrigado.

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Alexandra Seixas

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